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Bushido

Mais influente do que uma religião, o código de honra e ética japonês chamado Bushido é uma doutrina capaz de subverter toda fraqueza humana. ''A vida de alguém é limitada; a honra e o respeito duram para sempre'' - Samurai Miyamoto Musashi.

Desenvolvido entre os séculos IX e XII, o Bushido amparou-se nos conceitos do budismo, xintoísmo e confucionismo para elaborar seu próprio ensinamento.

Assim, os guerreiros samurais eram treinados para não sentirem medo da morte, pois acreditavam que através da morte, caso esta fosse digna, renasceriam novamente como guerreiros. Essa crença de existência pós-morte foi espelhada do budismo, assim como técnicas de meditação Zen que eliminavam o temor do guerreiro samurai diante situações de perigo.

O xintoísmo contribuiu para a criação de preceitos como a lealdade, o patriotismo e principalmente a referência aos antepassados. A devoção que o samurai deve ter para com o seu povo e o representante do mesmo, o Imperador, são parte de sua essência. Traição ou desonra não se refletiam apenas sobre o malfeitor: todos seus ancestrais e descendentes seriam contaminados por ela.

Quanto ao confucionismo, ele ressalta as obrigações interpessoais de um samurai, seja para com um irmão, um pai, sua mulher, etc.. Todas estas obrigações são sempre conduzidas pelo ideal de justiça, amor e benevolência.

A harmonia com a natureza também era contemplada no código Bushido, apoiada na crença de que a Terra não existe apenas para suprir as necessidades dos seres humanos. Um seguidor do Bushido acredita que a terra é residência sagrada dos deuses e dos espíritos de seus antepassados e portanto deve ser zelada com um amor intenso.

Quanto à educação de um guerreiro samurai, ela não girava somente em torno de técnicas apuradas de combate ou estratégias de batalha. Durante seu tempo dispensado dos deveres militares e sociais, deveria apreciar artes e culturas gerais, bem como aprender ofícios que nada tinham a ver diretamente com sua guerrilha. O conhecimento era uma forma de poder independente e isto também engrandecia um grande guerreiro.
Todos estes ideais já explanados poderão ser identificados nas 7 virtudes do Bushido:

1. GI = Justiça 2. YUU = Coragem 3. JIN = Benevolência 4. REI = Educação 5. MAKOTO = Sinceridade 6. MEIYO = Honra 7. CHUUGI = Lealdade

Estas virtudes serviam de amparo para o guerreiro diante de qualquer momento de fraqueza (dúvida) e assim o guiavam para a grande busca do Bushido: a morte digna.
Um guerreiro samurai vive para isso. Para morrer com dignidade. Portanto, um samurai jamais poderia recuar em campo de batalha, mesmo que esteja só contra 200 inimigos. Deve empunhar sua espada e defender seu povo juntamente com sua honra.

Esta consciência da morte contribuía para sua destreza no campo de batalha. Ele conseguia extrair força da fragilidade contida no ato de viver e, com todo treinamento recebido, todo seu corpo, movimentos e pensamentos giravam em torno no objetivo principal: morrer com honra. E isto somente seria possível se desse o máximo de si no campo de batalha.

Caso o samurai falhe no exercício de morrer com honra, ele poderá praticar o seppuku (ritual de suicídio) para recuperá-la. Digamos por exemplo que um guerreiro samurai sinta medo momentos antes da batalha e fuja. Este ato viola todo o código Bushido e, portanto, o guerreiro em questão terá que enfiar sua arma (espada, punhal) no próprio abdomem, realizando um rasgo de aproximados 180 graus. Um corte de uma ponta da costela até a outra. Esse ritual faria com que seu espírito se libertasse e recuperasse a honra. O seppuku era portanto uma das maiores demonstrações de devoção ao Bushido. Guerreiros mortalmente feridos que enfrentavam um adversário que não lhes proporcionaria uma morte justa também praticavam o Seppuku, em um contexto ainda mais digno, obtendo assim um grau de respeito incalculável pelos seus companheiros, familiares e o império em geral.

Nos dias atuais, após dois séculos de erradicação dos samurais como classe social, o Bushido permanece vivo na cultura japonesa. O que não poderia ser diferente, uma vez que este povo esteve em contato por nove séculos com a arte samurai.

Quando contemplamos o Japão e a sua capacidade de recuperação (basta pensar que em 30 anos conseguiu se reerguer da devastação da II Guerra Mundial e tornar-se uma das maiores potencias econômicas mundiais), é impossível não pensar que o Bushido contribuiu diretamente para tal feito.

Apesar de estes valores estarem amainados na sociedade japonesa e muitas das novas gerações acreditarem que são ideais pertencentes ao passado, há lugares onde o Bushido mantém sua forma próxima da original. São os dojos de Kobudo. Lá sobrevivem, de fato, os últimos samurais.

“Os homens devem moldar o seu caminho. A partir do momento em que você vir o caminho em tudo que fizer, você se tornará o caminho” - O livro dos cinco anéis, Miyamoto Musashi.

Reunimos aqui alguns dos princípios essenciais do Bushido. Quanto mais conseguirmos transportá-los para todas as instâncias de nossas vidas, melhor.

 

A HONRA

O senso de honra, que implica na consciência de sua dignidade pessoal e de seu valor, é o que mais importa ao samurai, que deve estar ciente de seus deveres e privilégios.
Isso pode ser aplicado com perfeição às nossas vidas pós-modernas. Que conheçamos os nossos deveres e os nossos privilégios, os equilibremos de maneira adequada e, com isso, vivamos da maneira mais satisfatória possível.

 

A HONESTIDADE

A honestidade consiste no poder de agir segundo a razão, sem hesitar – morrer quando o certo é morrer, e lutar quando o certo é lutar.
Na contemporaneidade, podemos fazer uso da retidão em nossas vidas pessoais, como quando identificamos o momentos certo para encerrar um relacionamento romântico, e em nossas vidas profissionais, reconhecendo as medidas capazes de nos proporcionar maior êxito.

 

A CORAGEM

A coragem, irmã da honestidade, é uma característica que devemos cultivar a todo custo. Um ato de coragem, segundo um dos príncipes de Mito, é “viver quando é necessário viver, e morrer quando é necessário morrer”.
Isso significa que nem todo ato impulsivo é um ato de coragem. Embora muitos pensem que estamos sendo corajosos quando nos lançamos nos braços da morte, isso só será algo valoroso caso tivermos um bom motivo para fazê-lo.
Cultivar a coragem não é o bastante; devemos reconhecê-la e admirá-la nos demais. Há o exemplo de dois senhores feudais, Kenshin e Shingen, que lutaram por quinze anos. Ao saber da morte de seu rival, Kenshin chorou amargamente pela perda daquele a quem classificou como “o mais perfeito dos inimigos”.

 

A COMPAIXÃO

Vamos seguir a lógica confucionista. Se você cultivar a virtude, as pessoas o seguirão. As propriedades virão com essas pessoas. As propriedades o tornarão rico. A riqueza dará a você o benefício de utilizá-la para propósitos elevados. “A virtude é a raiz, e a riqueza é a consequência”, disse o sábio chinês.
A compaixão, porém, não é incondicional. Para que seja útil, ela deve ser temperada pela gentileza e pela justiça.

 

A GENTILEZA

A gentileza, que consiste na manifestação da consideração pelos sentimentos daqueles que nos cercam, é a expressão máxima das virtudes sociais. Ela exige, segundo a especialista em etiqueta Florence Hartley, atenção especial às delicadezas e cerimônias que possuem a capacidade de satisfazer tanto ao próximo quanto a nós mesmos.

Para os samurais, a sua importância reside no fato de que o exercício progressivo das maneiras corretas faz com que as partes e faculdades de uma pessoa se harmonizem, o que expressa o mais completo domínio do espírito sobre a carne.

 

A ERUDIÇÃO

Poucas coisas são mais relevantes do que o conhecimento, desde que aquele que o obtém o assimile e o manifeste em seu caráter e em seus atos.

 

A SINCERIDADE

Com frequência, fazemos promessas que não temos intenção de cumprir. Em numerosas ocasiões, contamos pequenas mentiras – sob o pretexto de que são inofensivas e que não prejudicarão ninguém.
A um samurai, isso é vergonhoso. A “palavra de um samurai” era vista como algo sólido, inquebrantável, tão valorosa quanto um contrato por escrito, ou ainda mais do que isso.
Diferentemente da doutrina cristã, no Japão feudal a mentira não era vista como pecado, mas como símbolo de fraqueza e covardia, o que era duplamente vergonhoso.

 

O AUTOCONTROLE

O autocontrole nasce da união entre a força moral, que exige a aceitação do sofrimento e da desgraça sem um único gemido, e a gentileza.
Quando não possuímos o mais perfeito autocontrole – que consiste, em resumo, na capacidade de não perturbar a serenidade alheia com a manifestação de nossas próprias dores e tristezas, assim como de calcular com precisão todos os nossos atos e palavras – corremos o risco de cometer os mais graves equívocos.

 

A LEALDADE

Os laços de lealdade são fundamentais em qualquer sociedade, mas sua função é ainda mais importante em um contexto violento, incerto e perigoso. Devemos lealdade àqueles que nos são preciosos, como os membros de nossa família e os nossos amigos, e àqueles que a quem nos comprometemos ser leais.

Liga Mineira de judô

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